paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

sábado, setembro 10, 2005

Os nomes e a coisa

Vamos a ver se percebi: de acordo com a nova legislação que redefine a prestação profissional do professor, durante o seu tempo de trabalho, ficam estabelecidas três componentes - a lectiva [que consiste nas horas de aulas por semana, inscritas no horário]; a colectiva [que aponta para o trabalho em equipa, na escola]; a individual [que se refere ao trabalho realizado habitualmente em casa]. A soma destas três componentes dará 35 horas.

Não vou aqui discutir, no habitual registo de autocomplacência em que somos campeões na nossa corporação, quantos de nós, e quem [eu sim, o outro não, tu talvez...] trabalhava afinal mais dos que as 35 horas da lei, mesmo antes da lei sair. O que me interessa assinalar é talvez o óbvio: que a profissão de professor, só em virtude de um enviesamento cultural muito nosso, se tornou num ofício solitário e triste, que seria apenas romântico se não tivesse alguns traços de melancolia e desânimo à mistura.

A regulação de uma vertente colectiva do trabalho do professor na escola, entre os seus pares,- de nível, de departamento, de projecto,- só é necessária na lei porque permanecemos durante demasiado tempo conformados com as contingências de uma escola sem autoridade, sem projecto, sem regulação, sem avaliação. Com uma escola errática, esmagada pela rotina e enredada numa lógica bipolar: entre o centralismo burocrático do ministério tentacular e os devaneios de um ideário autogestionário herdado do PREC.

Não sei como dizê-lo de outro modo, mas acho que o lugar do professor, é na escola. Precisamente onde tudo começa e acaba. Nem sempre da melhor maneira, já sabemos. Espero que esta alteração semântica não venha a ter a mesma sorte de outras tentativas sérias [talvez devesse dizer: bem intencionadas] de mudar os hábitos, de mudar a escola.

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