paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quarta-feira, janeiro 05, 2005

Raízes

O problema das raízes, o mito da origem... toda a parafernália conceptual da ligação dos indíviduos a algo que o ultrapassa ou que os aprisiona continuam a marcar os impasses da nossa cultura urbana. Que fazer com as raízes? E que crédito dar ao apelo das origens? Sugiro [com atraso de leitor desatento] a leitura da entrevista de Amin Malouf à revista Pública de 21 de novembro passado.

Citando o escritor libanês: "Outros que não eu teriam falado de 'raízes'... Não emprego esse vocabulário. Não gosto de 'raízes' e da imagem ainda menos. As raízes enfiam-se na terra, contorcem-se na lama, crescem nas trevas, mantêm a árvore cativa desde o seu nascimento e alimentam-na graças a uma chantagem. 'Se te libertas, morres!' As árvores têm de se resignar, precisam das suas raízes; os homens não. Respiramos a luz, cobiçamos o céu e quando nos metemos na terra é para apodrecer. (...) Pertenço a uma tribo nómada que vagueia desde sempre por um deserto com as dimensões do mundo. As nossas pátrias são oásis que abandonamos quando a nascente seca, as nossas casas são tendas disfarçadas de edifícios, de pedra, as nossas nacionalidades são uma questão de datas, ou de berços. A única coisa que nos une uns aos outros, para além das gerações, para além da Babel das línguas, será o ruído de um nome." [Amin Malouf, in "Origens", Ed. Difel]

Ah, e hoje pelas 18.00 horas [a confirmar, por favor], no site da TSF, o programa de Carlos Vaz Marques - Pessoal e Transmissível. A conversa é com ele, com o homem que escreveu sobre as cruzadas, mas noutra perspectiva.