paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

segunda-feira, janeiro 17, 2005

O Quixote, IV Centenário



Terão passado ontem precisamente, deixando de lado um rigor excesivo, 4 séculos sobre a primeira edição do D. Quixote de la Mancha de Miguel de Cervantes Saavaedra. Em espanha preparam-se diversas iniciativas parea comemorar o acontecimento. Em Portugal o Instituto Cervantes também asinalará a data durante todo o ano. Ver mais iniciativas aqui.

Para mais informações sobre a efeméride podem ser consultados o Centro Virtual Cervantes e a excelente Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes, onde se encontrará em destaque a página do IV Centenário. Também aqui há informação sobre a vida e obra de Cervantes, nomeadamente sobre o Quixote, que parece não acabar.

Através dos links indicados é possível chegar a diversas edições do texto de Cervantes, nomeadamente uma de Francisco Rico, abundantemente comentada por especialistas. Também estão disponíveis pequenos vídeos e todo o Quixote en versão audio, lido por quem sabe dar vida ao texto.

Dentro de poucos meses - provavelmente durante a próxima Feira do Livro - teremos nas livrarias uma nova tradução da grande obra. Sai pela Relógio D'Água e está a ser diligentemente terminada por José Bento. Trata-se da primeira tradução portuguesa do Quixote no último meio século, se considerarmos com benevolência, a espantosa versão da obra que parece ter sido criativamente "reescrita" por Aquilo Ribeiro. Não é preciso mais para fazer desta nova tradução um dos acontecimentos editoriais do ano. O Público deu-nos ontem uma entrevista breve com o poeta-tradutor, com José Bento, que pode ser lida aqui.



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A obra de Cervantes faz parte de uma lista denominada Obras de Referência para o Contrato de Leitura no âmbito do Programa de Língua Portuguesa para o Ensino Secundário, conjuntamente com muitas outras, de autores nacionais e estrangeiros. Desde há muito que procuro encontrar uma fórmula para ler e dar a ler o Quixote na escola. Trata-se de uma obra muito complexa, apesar de se situar no registo das histórias contadas ao leitor, como se não houvesse distância nem mediações. Por vezes o que é simples reclama um tratamento complexo. Penso que é o caso.