paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quinta-feira, dezembro 02, 2004

O Síndrome



Seja qual for o juízo político que fizermos acerca dos dois mandatos de Jorge Sampaio todos reconheceremos que estes últimos meses não têm sido fáceis. O fim nunca é fácil, seja na política, seja na vida pessoal. Com a aproximação do fim os indícios ambíguos multiplicam-se, as leituras tornam-se desviantes. Quase nada é o que parece. A legitimidade formal de um eleito mantem-se mas a sua espessura política estreita-se perigosamente. Acontece na política, ao mais alto nível, mas também acontece nos círculos mais baixos da nossa vida profissional.

Escrevo isto a recordar-me dos vários finais de mandato a que assisti, sempre de fora, ao lado, digamos, como um observador priveligiado não participante. Impressionou-me mais de uma vez o drama da iminente perda de poder e de influência sobre os outros. Sempre num cenário de opereta, onde quase nada, verdadeiramente, estava em causa, ao contrário do que se passa com a situação política presente. Talvez então apenas estivesse em causa a face, não perder a face; palavra que usamos para religar a aparência das consequências públicas dos nossos actos com as nossas palavras.

Refiro-me apenas aos finais de mandato dos executivos das escolas por onde passei. Portanto apenas "lana caprina". Mas o ambiente de dissolução, de verdadeiro fim, de ruptura relacional como num divórcio litigioso, costuma imperar em todo o seu esplendor de declínio. Os sinais são muitos. Acho que se devia inventar um nome para isso: qualquer coisa como o Síndrome de Final de Mandato.