paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, novembro 16, 2004

Raciocínio linear, raciocínio arborescente

Não há dúvida (ou se calhar há) de que a forma condiciona o conteúdo, de que a forma e o conteúdo não são dois conceitos absolutamente estáveis. Se eu estivesse, neste momento, a escrever numa tábua de argila, seguramente que o resultado final seria bem diferente daquele que vai ser. Ou seja, o suporte também "escreve" e dita, inevitavelmente, as suas leis a quem o redige.

Vem isto a propósito de uma passagem do depoimento de Vasco Teixeira, administrador e director editorial da Porto Editora. Vem numa edição do educare, o educare HOJE, versão especial em papel, distribuído no sábado passado com o jornal Expresso.

Num texto de balanço sobre o mercado do Multimédia em Portugal e acerca das opções da editora nesse sector, Vasco Teixeira refere-se à operação delicada de passar ao multimédia a partir dos "recursos provenientes das áreas editoriais tradicionais", nomeadamente ao nível dos recursos humanos. E tudo por isto: "Porque o trabalho em produtos multimédia requer uma estrutura de raciocínio mais arborescente e as pessoas ligadas ao produto em papel tinham tendência para um tipo de raciocínio mais linear, que é específico dos livros."

Gosto da metáfora arbórea, que talvez possa fazer contraste com uma imagem mais fluvial das formas tradicionais de pensar e agir. O exemplo também se aplica às escolas, ou não? Queixamo-nos do papel que cresce sobre a secretária, do papel que levamos para casa, do papel gasto em fotocópias - a que está subjacente um modelo cumulativo e linear de pensar e fazer relações. Temos de passar para outro registo, mudar o baú das metáforas, digitalizá-las (isto é uma metáfora). É aí que tudo vai dar.

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