paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, novembro 09, 2004

Porque é que fecham as escolas a cadeado?

Mais uma notícia de uma escola que pode ser fechada a cadeado: "Os pais de alunos da escola básica Nuno Álvares, em Arrentela, Seixal, ameaçam fechar amanhã os portões do estabelecimento a cadeado, em protesto contra a degradação e falta de segurança das instalações."

Por princípio sou sempre contra o encerramento de uma escola a cadeado, entre outros motivos porque não tenho a certeza de que a mensagem dirigida aos próprios alunos, às crianças que colaboram festivamente, é a mensagem certa. As imagens de algazarra e de galhofa em frente às câmaras de televisão, quase sempre (as imagens...) associadas ao encerramento de um portão de uma escola, parecem provar o contrário. O que pode ser válido, a limite, para uma relação com uma instituição - o Ministério, a Direcção Regional, um director, um serviço - provavelmente não é válido para as relações entre as pessoas.

E a imagem de uma escola encerrada a cadeado (desculpem-me o puritanismo) confunde-se, em meu entender, com a imagem de uma escola que é ultrajada e vulgarizada. Eu prefiro ajudar a passar a ideia de que a escola é um lugar nobre, agradável e útil que devemos respeitar. Para além de que passa a todos a ideia de que uma posição simbólica de força resolve sempre. Ora se o encerramento de uma escola resolve alguma coisa é porque em Portugal os serviços não resolvem, de facto, os problemas das populações a tempo, as entidades não assumem publicamente as suas responsabilidades, não prestam publicamente contas, procuram resolver os assuntos à distância, não dialogam, não respondem em tempo útil aos apelos e aos pedidos de informações que lhes são dirigidos, se enredam em burocracia e o bem público se vem tornando cada vez mais uma coisa abstracta e vaga.

Em vez de uma audição, do diálogo aberto e directo com os representates das populações, neste caso dos pais e EE, temos arraiais de cadeado e caretas à frente da câmaras e festa garantida. Imaginem a lição cívica, o exemplo de agit prop que estas ocorrências não permitem... Mas, por outro lado, se o país só vai a poder de cadeado, se as coisas se resolvem desta maneira, quem pode criticar as populações a quem nada resta senão o escândalo?