paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, novembro 30, 2004

Os lobbies da paixão

Hoje francamente não estou inspirado e não tinha nada preparado para dizer. No entanto ocorre-me uma frase de um professor universitário que há tempos dizia para as câmaras de televisão algo que, como se costuma dizer "bateu cá dentro". Dizia a pessoa em questão, de cujo nome não me consigo recordar, que os problemas da educação, da justiça e da saúde não se resolvem porque ninguém se atreve a enfrentar os interesses instalados dos principais protagonistas e responsáveis de cada um dos sectores, ou seja: dos professores, dos juízes e dos médicos. É óbvio que existem mais actores com bastante peso como os advogados ou os enfermeiros, por exemplo. Mas no caso da educação podemos afirmar que o problema não passa pelos interesses dos funcionários ou dos alunos pois o peso que têm em termos de influenciar as decisões no sector da educação são relativamente reduzidos. Eu posso falar por mim próprio. Tenho um salário bastante razoável relativamente ao que é praticado na restante função pública (os juízes continuam a ser os campeões em termos de salários) e no entanto aquilo que me é exigido é apenas a leccionação de 12 horas semanais. Ninguém controla o que faço e até mesmo essas 12 horas de aulas podem ser mal ou bem dadas que nada me acontece independentemente do que fizer. Tanto dá se fizer investigação ou não e tanto posso estar na escola como em casa a trabalhar. Enfim para tirarem dúvidas sobre o que faço ou não faço podem consultar homepage.oninet.pt/927mbf e vão ver que afinal não é bem assim, mas poderia perfeitamente ser. O problema é o do costume ou seja ninguém é responsabilizado por aquilo que faz, neste jardim de brandos costumes à beira mar plantado. Apesar de não leccionar no secundário penso que, pelos relatos que me chegam, o laxismo também é grande e a impunidade impera, tanto ao nível dos professores, como dos alunos, diga-se de passagem. Mas então o problema é das pessoas ou é do governo que não toma medidas. Isso é como perguntar quem nasceu primeiro, se o ovo se a galinha. O problema é do País que somos e quanto a isso não há nada a fazer senão esperar...
...umas boas gerações.