paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quinta-feira, novembro 18, 2004

Há causas... e causas: algumas perguntas.

A minha tentativa já um pouco tardia de prosseguir o debate em torno do que deve ser um bom "clube escolar" desencadeou novo post no outroolhar que, por sua vez, originou este. Há causas... é um excelente contributo à reflexão sobre o assunto. São quatro os princípios que presidem à acção educativa, na pluralidade das dimensões da escola:

"O princípio da heterodeterminação educativa preside à dimensão lectiva."
"O princípio da autodeterminação educativa preside à dimensão extralectiva."
"O princípio da codeterminação educativa preside à dimensão interactiva."
"O princípio da sobredeterminação dialéctica educativa, ou princípio ecológico, preside à dimensão global."


Para ler o post por inteiro clicar aqui.

Perguntas

A primeira é porque sentiu a escola, ou parte dela, o imperativo de realizar actividades extracurriculares, impondo no tempo escolar ritmos, métodos e lógicas distintas?
A segunda: porque é que assistimos, nas últimas décadas, a uma relativa desvalorização da escola curricular (talvez agora com o movimento inverso da revanche)? Talvez devesse ter escrito "relativização" do currículo...
A terceira: porque assistimos hoje a uma revalorização do currículo, que se traduz num predomínio do "princípio da heterodeterminação educativa", para usar a terminologia do post do Miguel Pinto.

Não vou desenvolver agora os aspectos que, em meu entender, ajudarão a encontrar para algumas das perguntas um princípio de resposta. O desafio que as actividades extra-curriculares representam para a escola e para os seus intervenientes prova que a sede das grandes aprendizagens sociais já não é a escola. As grandes aprendizagens, nomeadamente as que têm estado associadas às novas tecnologias da informação e que decorreram nos últimos anos, que exigem competências de comunicação e de uso da linguagem em registos muito específicos, passaram ao lado da escola. Só assim se explica que em muitas matérias o lugar, na escola, dos alunos e dos professores, se inverta completamente. Por muito que nos pese. E por muito que nos custe admitir que muitos professores passaram a fazer parte de uma nova classe de "iletrados" e infoexcluídos. A escola é hoje apenas um dos momentos das aprendizagens dos jovens, ainda que essencial (estamos a pagar ainda o custo de uma sociedade pouco escolarizada). Sempre foi assim, mas nunca terá sido tanto assim. Talvez seja preciso refundar a escola, ou pelo menos admitir que a escola é um território de geometria variável - em que nunca se sabe onde começa nem onde acaba efectivamente a sua missão formadora.