paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

sábado, novembro 13, 2004

Educação para a Justiça

Falamos frequentemente de educação para a saúde, de educação para os media... esquecemo-nos da educação para a justiça - expressão que nunca ouvi. Provavelmente a educação para a cidadania envolve todos estes vectores - saber interpretar as mensagens dos media, aprender a desenvolver um estilo de vida saudável e saber encarar de forma adequada as normas e preceitos legais que regulam a vida em comunidade, são aspectos complementares de uma educação mais vasta e ambiciosa. A escola não pode excluir estas aprendizagens, sob pena de virar costas à realidade.

E a realidade é, em grande parte destes vectores, profundamente desanimadora. Trata-se mesmo de iliteracia, que afecta vastos sectores da sociedade portuguesa. E ela revela-se quer no decorrer de um fórum de opinião sobre futebol ou sobre os temas da actualidade, quer na dificuldade em interpretar um horário de combóio, de encontrar o lugar marcado na carruagem ou nas atitudes em face dos instrumentos da justiça.

Uma notícia do Expresso deste sábado dá conta dos problemas com que se deparou a juíza do processo Farfalha, em Ponta Delgada, para escolher um pequeno grupo de jurados. Um dos inquiridos afirmou durante a entrevista: "Eu já vi jurados nos filmes da América, mas as legendas passam muito depressa."

A fim de escolher o grupo de oito jurados, quatro efectivos e quatro suplentes, foram ouvidos dezoito cidadãos. Foi-lhes colocado um cenário: "O tribunal mandou prender preventivamente alguns indivíduos. Acha que os arguidos são culpados?" Ainda de acordo com o Expresso um dos inquiridos afirmou: "Pelo menos, deviam!" e outro: "Se estão presos é porque são culpados."