paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quarta-feira, novembro 03, 2004

de volta à paixão

Depois de algumas atribulações internéticas estou de volta à paixão. O que me traz aqui desta vez são as incongruências do nosso ensino superior. Criou-se há uns anos um sistema designado como politécnico que tinha por objectivo dar uma formação intermédia, mas já na altura designada como superior, para não haver sentimentos de inferioridade. Esse sistema evoluiu de tal forma que hoje os estudantes que acabam o politécnico competem exactamente nos mesmos nichos de mercado que os universitários. O corpo docente do politécnico evoluiu de igual forma e hoje já existe em algumas instituições um número de doutorados comparável ao némro de docentes doutorados nas universidades. No entanto existe um abismo de diferenças a separar os dois sistemas de ensino. Aos politécnicos é e será vedada a atribuição do grau de doutor, têm um menor financiamento, têm cargas lectivas mais elevadas e um número de discliplinas por docente mais elevado. Além do mais a carreira docente para os universitários apresenta-se mais aliciante por existir um maior número de categorias. Tal diferença de condições faz com que os alunos do politécnico tenham à partida mais limitações de formação que os universitários com tudo o que tal traz de injusto. Numa época em que fala tanto do processo de Bolonha e da uniformização da formação superior na Europa, esta clivagem que existe entre os dois sistemas em Portugal é pouco menos que uma aberração. Tenho à partida aversão a medidas proteccionistas de carácter administrativo. Este tipo de condicionantes serve normalmente para incentivar a mediocridade, o conformismo e a estagnação. Deste modo não entendo porque razão não colocam os dois sistemas em termos de igualdade de oportunidades e valorisando as instituições em função do que valem e não do que são. Não tenho grandes dúvidas que o caminho será inevitavelmente o da fusão dos dois sistemas. Resta apenas saber quanto tempo teremos que esperar até que exista um ministro com coragem capaz de dar esse passo.

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