paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, novembro 02, 2004

Correio de JB...que saudades!

É com orgulho, com muito orgulho mesmo, que posso bradar aos sete ventos, que fiz parte de um projecto enrriquecedor como O jornal escolar - Correio de JB.
Em alusão ao que o professor Gustavo escreveu, não posso deixar de referir a importância que teve para mim, participar num projecto que me fez sonhar e a perceber, que até o que parece impossivel, pode transformar-se em realidade.

O ano de 1997, marcou-me de forma muito especial, até porque existem anos, que parecem ser os perfeitos para concretizarmos as nossas ambições e sonhos. Foi precisamente neste ano que dei os primeiros passos numa aventura que me ajudou a crescer como pessoa, ajudando a definir os rumos que deveria seguir no futuro.
Integrar uma redacção de um jornal sempre foi o meu sonho, e por isso comecei por baixo. Depois de uma curta estada na aclamada "rádio escolar" (onde reinava a desorganização), ingressei no Correio de JB. Aos poucos o projecto passou a ser também meu e por isso todas as minhas forças se centravam na concretização do meu trabalho como uma séria profissional, que partilhava do gosto da escrita, mas também o gosto pela informação.

Quando tinha oportunidade, que era quase todos os dias, lia o Público trazido debaixo do braço pelo editor e coordenador do jornal, professor Gustavo, e por isso sonhava que a nossa pequena publicação fosse um dia respeitada, da mesma forma, como é visto o grande jornal de referência que é o Público.

Mas o que era o nosso jornal? Era um meio de informação no inicio. Um meio de difusão de eventos escolares mas também culturais. Um meio de aproximar os alunos. Um simples Jornal!

Em que se tornou o nosso Jornal? No meio de informação de grande impacto na pequena comunidade escolar. Uma publicação que suscitava ódios de estimação e que "abanava" e fazia "tremer" os superiores da escola, quando sabiam que um novo número vinha a caminho.

Ao contrário de outros professores, o jornal sobrevivia devido ao esforço de um único professor que trocava a sala de professores por um ambiente informal, numa pequenina sala que era cedida aos alunos do jornal. Era neste convivio, que se discutiam alguns assuntos que iriam figurar no jornal, e era nesta sala tão pequenina que não dava para mais de quatro pessoas, que nasceu o nosso GRANDE Jornal.

Quando o correio de JB, começou a amealhar prémios atribuidos pelo concurso nacional de jornais, promovido pelo Público, a escola passou a olhar para os jovens jornalistas com mais respeito e o jornal foi crescendo, foi ganhando mais notoriedade foi sendo de alguma forma uma parte de nós, sem a qual não poderiamos viver.

O ano de 1999, marcaria mais uma etapa do nosso jornal. Graças ao esforço, e à correria que era concretizar três exemplares de qualidade anualmente, o Correio de JB, conseguiu conquistar no segundo ano consecutivo o 2ºlugar no concurso nacional. Mas o Correio de JB, conseguiu ainda mais. Juntamente com este prémio vinha uma viagem para Paris, para dois jovens jornalistas, como forma de representarem Portugal num encontro de Jovens Jornalistas.

Embarquei em vésperas de Dezembro para Paris, encontrando jovens de toda a europa que tinham em comum o gosto pela imprensa. Discutimos a liberdade de imprensa, discutimos a elaboração de um código de príncipios para jovens jornalistas, e fizemos com que o Correio de JB fosse conhecido em toda a europa.
Foi para mim o ano de ouro, foi para mim a concretização de um sonho que nem eu pensava ser possivel de concretizar.

Em 2000, ingressei na Universidade Católica, no curso de Comunicação Social e no final de 2000 em visita à redacção do JB, tive a agradável supresa de saber que pelo terceiro ano consecutivo tinhamos ganho novamente o 2ºlugar no concurso nacional.
Agora que estou no último ano do meu curso, a escassos meses de entrar para o estágio ainda penso no Correio de JB, como a minha maior referência do jornalismo.
Naquela redacção escolar aprendi um pouco de tudo, aprendi a respeitar os outros, aprendi o que eram os primeiros obstáculos do jornalismo, aprendi a fazer as minhas primeiras entrevistas, aprendi a lidar com os professores de forma diferente, como se eu mesma fosse uma jornalista que poderia defender os meus pontos de vista e não sendo tratada como uma mera aluna.

Ao contrário de outras realidades, com as quais tive a oportunidade de conviver no encontro de jovens jornalistas, no correio de jb não encontrei qualquer tipo de censura ou de limitação à minha criatividade.
Éramos jovens, que tinhamos como ideal máximo a verdade, acreditavamos que através do jornalismo conseguiamos conquistar a liberdade dos alunos da escola e por isso ser a sua voz.

Se me perguntassem se queria integrar novamente a redacção do Correio de JB, tenho a certeza absoluta que não olharia para trás e responderia que SIM!!!! SIM, com o maior orgulho e convicção de que faria parte de uma equipa séria, convicta de que poderia contribuir para que o ambiente escolar ganhasse nova côr e consciência de que tinha uma voz para os representar.

Só gostava ter o poder de voltar atrás, para poder fazer mais e melhor, o que fiz para tornar o Correio de JB, um projecto de qualidade como foi!

P.S: Para quando um novo Correio de JB??? (aguardo resposta professor...).