paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, novembro 02, 2004

Contar e recontar os boletins de voto há quatro anos

As imagens como esta sucediam-se nos jornais e na televisão, há precisamente quatro anos. Os escrutinadores da Florida contavam e recontavam os boletins, viravam-nos de um lado e do outro, observavam-nos à lupa e não acontecia nada. Na altura resolvi aproveitar o incidente nas eleições americanas e fazer um pouco de pedagogia eleitoral. Votar, garantir a segurança dos boletins e de todo o processo eleitoral, contar os votos e publicar os resultados são operações complexas e que exigem rigor. Aprendem-se.

Naqueles dias a televisão dava-nos de bandeja excelentes imagens dos escrutinadores em plena recontagem de votos, como se fosse possível ver como funciona, por dentro, o mecanismo das democracias. Inventei uma consulta para escolher os nomes a atribuir aos cacifos da nossa Biblioteca. É simples, eu explico: em vez de numerarmos os cacifos de 1 a n... ou de A a Z, resolvemos tribuir-lhes nomes. Torga, Eça, Saramago, Herberto Helder, ou então Eminem, Luís Figo, Doors, entre outros de que não me recordo de momento. Tinham chegado mais cacifos e era preciso escolher mais alguns nomes. Lançámos a consulta que muito democraticamente fixou a lista de notáveis, entre jogadores de futebol, cantores de pop-rock e outras figuras públicas. E todo o processo foi (como agora se diz) monitorizado; depois de terminada a consulta os boletins foram contados e os resultados afixados. Deu muito trabalho (a democracia dá trabalho) mas correu melhor do que as eleições americanas propriamente ditas. E pareceu-me que a pedagogia democrática também se faz pela experiência concreta de um processo eleitoral, mesmo quando os motivos parecem basicamente frívolos.

Remeto, como já tinha feito antes, para este link, onde professores norte-americanos sugerem actividades com alunos em torno do proceso eleitoral que tem hoje o seu desfecho.