paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

sexta-feira, outubro 22, 2004

Supersize Me

Já todos devem conhecer a história e a ideia simples do filme - "algo entre o activismo social e "body art" - que o norte-americano Morgan Spurlock realizou com muito pequeno orçamento: alimentar-se exclusivamente da ementa proposta pela cadeia alimentar McDonald's durante 30 dias, de manhã à noite, e quase sem fazer exercício físico. Polémica garantida e sucesso de bilheteiras à escala do género. Já está nas salas portuguesas, com pouco agrado da crítica especializada. Mas a crítica também não gosta da fast food e é um sucesso comercial em todo o lado.

A questão que me interessa é pensar como isto também tem a ver com os nossos alunos, no interior das escolas. Aliás, por curiosidade, a minha escola fica ao lado de um McRestaurante, e durante boa parte do dia, com vento de feição, sentimos perfeitamente o cheiro da comida rápida, dos hamburgueres, etc. Alguns dos nossos alunos almoçam frequentemente lá, desprezando a comida menos competitaiva e com menos charme da cantina. Mas isso será matéria para outro post.

Spurlock parece estar sensibilizado para esta vertente do problema. Na entrevista publicada hoje no Y - suplemento semanal do jornal Público - afirma a dado ponto: "Na América, temos de nos concentrar nas escolas. De ensinar aos miúdos a ter um estilo de vida saudável. As escolas vendem imensas porcarias aos garotos, pode-se substituir a 'junk food' sem perder dinheiro".

Voltarei ao assunto noutra altura porque o tema merece a pena.

6 Comments:

  • At 10:51 da tarde, Blogger Miguel Pinto said…

    Enquanto o Ministério da Educação persistir, irresponsavelmente, em não querer minimizar o problema da obesidade infanto-juvenil (designadamente, através do aumento da carga horária na disciplina de Educação Física e de um apoio efectivo às escolas promotoras de saúde) e as escolas cederem às negociatas que envolvem as “betoneiras” de chocolates e comida de “plástico”, o problema será agravado pela inércia das famílias.

    [Sugiro uma visita ao blog amigo Educar para a saúde (http://educarparasaude.blogspot.com/)onde este problema tem sido objecto de uma reflexão profunda.]

     
  • At 12:08 da tarde, Blogger Luís Palma de Jesus said…

    (1) E não esquecer a pouca qualidade de alguns bares e cantinas escolares. O modo como cozinham, muito à base de fritos, e as escolhas feitas para o cardápio,muito à base de bolos e folhados, não ajuda muito. Até as sopas farinhosas parecem parte de um projecto de engorda rápida.
    (2) Seria muito complicado vender fruta nos bares escolares? Digo-vos que, todos os anos, vou parar a uma nova escola, e, todos os anos, lá peço um mero «tomate com sal» à moda de antanho, pois nunca consegui ter este pedido tão elementar satisfeito.
    (3) Um opbrigado ao vosso leitor que aqui deixou um link útil. Este ano as turmas lá da escola têm no seu PCT estes temas da alimentação.

    Um abraço a todos e bom trabalho

     
  • At 12:15 da tarde, Blogger Luís Palma de Jesus said…

    A pressa nem sempre ajuda. Depois de deixar-vos a «queixa» anterior reparei que agradeci a um leitor de quem sou leitor regular: o Miguel Pinto. O obrigado tem, então, destinatário bem conhecido.

     
  • At 1:13 da tarde, Blogger Luís Palma de Jesus said…

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  • At 3:29 da manhã, Blogger SaltaPocinhas said…

    E o facto dos bares das escolas venderem toda a espécie de porcarias? Deixar de as vender não impediria que os garotos as consumissem, ms não o fariam pelo menos enquanto estivessem na escola. Porque correrão as escolas atrás de lucros nos bares???

     
  • At 3:51 da manhã, Blogger José Gustavo Teixeira said…

    A questão da colega saltapocinhas é central; não compreendo que as ementas disponíveis nos bares não mereçam o cuidado que deveriam ter. Já convivi com alunos que almoçavam diariamente um bollycao, um croissant e um néctar. Uma escola não pode permitir que estas situações se banalizem ou então é porque as pessoas com responsabilidades não perecebem nada de nada do que se passa. Os Centros de Saúde deveriam apoiar, mas quem se lembra disso?

    Um colega contou-me que numa das escolas por onde passou o bar dos alunos fechava durante o almoço. Parece-me bem, na medida em que o refeitório funciona... por acaso durante a hora de almoço.

     

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