paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quarta-feira, outubro 06, 2004

Ranking na blogosfera: um ponto da situação




Os rankings saídos a público no passado fim de semana ainda não foram metabolizados pela blogosfera. Numa visita meticulosa que fizémos durante a tarde de hoje aos blogues de conteúdo educativo (ver a nossa coluna da direita) encontrámos já algumas reflexões, mas outras acabarão inevitavelmente por aparecer nos próximos dias. Deixamos neste post os links quer para os blogues quer para os textos alusivos ao tema em referência, sem pretendermos ser exaustivos.

No ABNOXIO de Ademar Santos encontramos uma chamada para o artigo de Vital Moreira, que nós também linkamos, a título de constatação do óbvio: "Não é preciso ser-se especialista em sociologia da educação para perceber o óbvio: as escolas não inventam a sociedade, reflectem-na. (...) As escolas que, de uma forma ou doutra, podem escolher os seus alunos terão sempre os melhores resultados de pauta. Digo "os melhores resultados de pauta", não, necessariamente, os melhores resultados educativos."

Em Da Escola, o Manuel Dinis Cabeça refere-se à atitude das escolas em face destes resultados, estabelecendo o contraste inevitável entre públicas e privadas: "Estou certo que as escolas privadas, e os seus defensores, encontrarão pretextos suficientes para defenderem, com mais veemência e acutilância, a privatização de todo o sistema. (...) Como estou certo que os elementos das escolas públicas que ficaram na cauda encolhem os ombros perante a sensação de agrura e a incapacidade e impossibilidade de fazer melhor, de fazer diferente."

O Gonçalo Simões, em Dois dedos de conversa e sob o título de "Ranking" escreve com precisão acerca do problema central levantado com a publicação destas listagens de escolas: "Porque se é certo que o patamar de entrada em que se situam os alunos do Colégio Moderno é necessariamente diverso do dos alunos de Pampilhosa da Serra, o mesmo é de esperar do patamar de saída. Assim, a questão que se coloca é: qual o grau de progressão que os alunos de ambas as escolas fizeram?"

O outroolhar de Miguel Pinto dedica-lhe dois posts. Num deles desenvolve a ideia de que é necessário aproveitar este pretexto para pensar a escola, com especiais responsabilidades para os seus orgãos pedagógicos: "É um pretexto para falar da escola e da sua enorme complexidade. É uma nova oportunidade para que cada um fale das suas crenças, ideologias e utopias. Na maior parte dos casos o que se escreve sobre o assunto não poderá ser levado a sério. A falta de rigor e a ligeireza das generalizações hipotecam a seriedade da análise. (...) Num outro quadrante bem distante, as escolas e os conselhos pedagógicos não podem ficar indiferentes aos resultados dos seus alunos nesta competição nacional. Há que interpretar os resultados utilizando os critérios que, em cada contexto escolar, sejam mais adequados para retractar essa realidade singular."
No outro refere-se às consequências da publicidade destas listas: "A divulgação pública dos resultados dos alunos nos exames nacionais do 12º ano alimenta aquele tipo de discurso que António Nóvoa designou de discurso de responsabilidade."

Finalmente no blog Um prego no sapato o Henrique Jorge questiona a pretensão de que estas listas possam constituir um ranking fiável da qualidade das escolas: "A ideia de que a publicação dos resultados obtidos pelas escolas nacionais com os alunos do 12º ano é um "ranking nacional de escolas" é equívoca em vários aspectos e presta-se a interpretações - nalguns casos - verdadeiramente absurdas."

Pela nossa parte deixámos uma primeira reflexão sobre o assunto aqui, debaixo do título Ranking... para que vos quero? Também tencionamos voltar à "vaca fria", pelo menos enquanto a questão não se encontrar esgotada por estes lados.

2 Comments:

  • At 12:30 da tarde, Blogger SaltaPocinhas said…

    Olá! Não conhecia o teu blog, vou voltar para ler com mais calma. quanto á história dos rankings, nada escrevi mas a minha opinião é que não pode haver rankings feitos assim, baseadosa penas nas notas dos exames. Nos meios que conheço melhor há alunos que se levantam às 6 da manhã, e só regressam a casa lá pelas 6 ou 7 da noite... E às vezes ainda vão ajudar os pais nas terras. Como se podem comparar em pé de igualdade jovens destes com aqueles que são deixados pelo motorista à porta da escola, à hora das aulas e têm depois todas as comodidades?? Será possível fazer comparações? Eu não tenho dúvidas que não!

     
  • At 4:02 da tarde, Blogger José Gustavo Teixeira said…

    Obrigado pela visita; [paixão da educação] é um blog colectivo (com a equipa ainda em composição) e que procura melhorar "em exercício".
    Quanto aos rankings - sobre os quais escrevi um post maior, também linkado aqui - a minha opinião é favoravelmente crítica. Aceito que existam mas devem ser apenas um pretexto para reflectir sobre as condições das escolas e dos seus alunos. O que, aliás, a colega começa por fazer. O Ministério, de facto, não produz rankings - estes são da inteira responsabilidade dos orgãos de comunicação. O que o Ministério faz é fornecer os resultados dos exames e isso é, diria, uma obrigação cívica e política. Depois há rankings porque essa é a leitura que passa melhor na comunicação social, mas não podem ser proibidos. Aliás a própria ministra contestou a forma dos rankings ainda ontem, no Parlamento, considerando que a identificação das "piores" escolas é um acto de masoquismo.
    O que falta: pensar, pensar, pensar nos dados revelados pelos vários estudos, discuti-los nas escolas (coisa de que não estou certo venha a acontecer de forma significativa) e tirar as possíveis conclusões.
    Aqui na [paixão] voltaremos ao assunto.

     

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