paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

sábado, outubro 02, 2004

Ensino politizado?

Alberto João Jardim, durante a abertura do ano lectivo na Madeira, afirmou que o ensino em Portugal está muito politizado por responsabilidade de "sucessivos governos da República" e que se encontra "infiltrado politicamente". Mais pormenores aqui, no Expresso.

Um leitor da edição digital deste semanário, comentando a notícia, escreveu:
"...quando era obrigatório pertencer à Mocidade Portuguesa.
...quando as aulas de Religião e Moral consistiam em sessões de propaganda contra as imoralidades da Suécia e da Alemanha.
...quando os compêndios de História pareciam panfletos da Al-Qaida, cheios de vitórias dadas pela Virgem Maria ao seu povo dilecto.
...quando os compêndios de Filosofia traziam a versão do filósofo X, a do filósofo Y, e a correcta, que era a do autor do compêndio.
...quando na fachada da escola se escrevia num alto-relevo quadrado, mussoliniano: "se soubesses o que custa mandar gostarias de obedecer toda a vida".
...quando nos livros de texto da primária se contavam edificantes histórias em que a moral era que os senhores deviam ser sempre senhores, e os servos, servos.
...quando nos diziam que a maior virtude de um homem era morrer pela pátria, e a duma mulher morrer pela pureza.
...quandoa pobreza de Portugal era apresentada às crianças como um sinal de virtude e um motivo de orgulho. Ai a beleza que havia nas mulheres descalças, com o cântaro à cabeça, a caminho da fonte por não haver água canalizada...Nem estava politizado, o ensino, quando se escondia João das Regras para mostrar o Condestável.

Nesse tempo, sim, o ensino era impoluto e virgem de polítiquices."