paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

segunda-feira, outubro 11, 2004

Em Defesa e Contra os Rankings

Quando se deslocou na passada quarta-feira, dia 6, à Assembleia da República, a senhora ministra da educação manifestou algumas reservas relativamente ao modo como os rankings são elaborados, nomeadamente no que se refere à identificação precisa das "piores" escolas; falou, inclusive, num certo "exercício de sadismo" que "pretende evitar no futuro". Afirmou também que a qualidade do ensino não depende simplesmente da natureza privada ou pública das escolas. As declarações de Maria do Carmo Seabra são sensatas e parecem, até, engrossar o argumentário dos que contestam a validade das listas publicadas recentemente.

Quem tiver lido com cuidado os suplementos dos jornais reconhecerá que as entidades responsáveis pelo tratamento da informação e os jornalistas que trabalharam os resultados procuraram atenuar alguns óbvios factores de distorção dos dados em bruto. Escolhendo considerar apenas as disciplinas com mais inscritos a nível nacional (8 no caso do Público, 14 no caso do Diário de Notícias), excluindo das estatísticas escolas com um baixo número de provas, não considerando para efeito de rankings parciais de disciplinas aqueles casos em que tiveram lugar, por escola, menos de 15 ou de 10 provas, relativizando os resultados em função de outros factores susceptíveis de provocarem distorção na lista final. A opção editorial de elaborar um ranking implica sempre muitas decisões técnicas e não pode iludir a natureza um pouco aleatória dos resultados. Foi o que aconteceu e ficou bem explícito nos textos publicados.

Falta agora - e esse trabalho é nosso e das nossas escolas - virá-los literalmente do avesso. Apesar de ser mais tentador (e dar menos trabalho) manter sobre esta questão uma distância um pouco afectada e sobranceira, assobiando para o lado, como alguns profesores fazem, é mais racional trabalhar os resultados... porque simplesmente eles estão aí, à disposição de quem quiser utilizá-los como arma de arremesso.

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