paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quarta-feira, setembro 29, 2004

To be or not TV?

O Miguel Pinto do Aragem deixou-me esta sugestão: "Ao ler esta entrada ocorreu-me esta simples questão: Será possível "reformar" ou (e) "reconfigurar" a escola sem a colaboração da televisão?"

Boa pergunta. Deixo esta questão pertinente ao comentário dos leitores. Quem avança?

4 Comments:

  • At 3:32 da tarde, Blogger José Rabaça Gaspar said…

    Claro que a televisão, como serviço público, devia e podia contribuir para ajudar a "mudar" o que está mal na EDUCAÇÃO... Os debates que foram promovidos e as entrevistas de rua aos professores prejudicados, agredidos, ignorados... contribuem para isso?

    Era preciso que as pessoas capazes de apresentar soluções válidas e viáveis aparecessem... e que a televisão "aberta à sociedade civil" desse mais espaço às Escolas que sabem funcionar.

     
  • At 6:34 da tarde, Blogger Sybille Amber said…

    TV..free educatiuon, I suppose, is the theme.
    Sybille
    http://sybamb.blogspot.com

     
  • At 3:18 da manhã, Blogger José Gustavo Teixeira said…

    Caro amigo José Rabaça: o seu comentário suscita-me outro comentário. Concordo que a televisão (quando se trata de um operador público) tem a obrigação de fazer serviço público - o que aliás nos levaria para outra discussão. Mas desde logo sobram as outras, as privadas que são livres de apostar no Big Brother, na Quinta das Celebridades e noutras variantes da "realidade".
    A pretensão de que a televisão - nas suas palavras -"devia e podia contribuir para ajudar a "mudar" o que está mal na EDUCAÇÃO", é francamente ambiciosa. Se a televisão souber mudar o que está mal na própria televisão, na maré alta das novas tecnologias em que mergulhamos e que vai/ está já a mudar o panorama do audiovisual... já não será mau. A televisão mudar a educação parece-me pedir demais.
    O ênfase não deve ser dado aos professores porque não são os professores que constituem o cerne do processo educativo, mas as escolas e os alunos. Quando os professores são excessivamente notícia - como tem acontecido agora, e justamente - é sempre, quase sempre por maus motivos. Por isso eu espero ansiosamente que os professores, neste momento surrealista da nossa vida colectiva, deixem rapidamente de ser o rosto da notícia para que as objectivas se virem para o que interessa: as escolas, as boas e as excelentes, as más, os alunos e as suas necessidades. E também para os professores, inevitavelmente, mas a uma luz completamente diferente e sem o dramatismo obsessivo destes dias,inteiramente justificado pela inépcia do ministério e pelos dramas pessoais de que vamos tendo conhecimento.
    Respondendo directamente à pergunta do Miguel Pinto: a televisão é apenas um dos aspectos da questão, porque aquilo que importará discutir é a perda de centralidade da escola numa paisagem cultural e tecnológica em mudança e a perda de prestígio das experiências de aprendizagem que nela têm lugar. Que a escola já não é o que era, sabemo-lo. Que a escola deixou de ser (e se calhar ainda bem) o espaço prioritário das aprendizagens dos nossos alunos, sentimo-lo a cada dia.
    Por isso a televisão - para falar só dela - não pode ser uma adversária da escola, nem a escola deve promover uma resistência organizada ao discurso televisivo, sob risco de sair humilhada. Cooperar, colaborar, como diz o Miguel Pinto, consiste em meu entender, que penso nisto agora, em duas atitudes: dotar os alunos de instrumentos de interpretação do discurso televisivo (a educação para os media) e contribuir para que a escola encontre um lugar no actual ambiente mediático-tecnológico que é também um espaço de transmissão de conhecimentos e de saberes.
    Por isso acredito mais numa refundação da escola num ambiente tecnológico saturado de discursos contraditórios que é preciso aprender a descodificar, a interpretar e a desarmadilhar, e não a substituir, do que numa colaboração, em harmonia, da televisão com a escola. A não ser que voltemos ao tempo da telescola que acabou recentemente.

     
  • At 2:07 da tarde, Blogger Miguel Pinto said…

    Estão lembrados da discussão relativa aos manuais escolares de Português. As voltas que deu a discussão centrada numa referência a um programa televisivo e as reacções de alguns puristas que optaram por virar as costas à realidade. O lixo televisivo é uma realidade. Concordo com o Gustavo: há que “dotar os alunos de instrumentos de interpretação do discurso televisivo (a educação para os media) e contribuir para que a escola encontre um lugar no actual ambiente mediático-tecnológico que é também um espaço de transmissão de conhecimentos e de saberes.”

     

Enviar um comentário

<< Home