paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

terça-feira, setembro 21, 2004

Prós e Contras (Platão em bolandas)




Não há nada a fazer. A educação está na ordem do dia desde a República de Platão, e nunca mais saiu do prime time. Os Livros VI e VII dessa obra clássica do pensamento pedagógico-político desenvolvem uma ampla reforma curricular orientada para a educação do filósofo e pensada na perspectiva da vida activa. Mas a grande reforma carece de condições objectivas para ser levada a bom termo e o autor question-se: "- Agora, segundo me parece, podemos concordar relativamente à legislação, que o noso plano é o melhor,se se realizar; que é difícil de se executar; contudo, não é impossível." [502 c] Platão pensa sobretudo numa escola de excelência, mas o modelo pode aproveitar às nossas escolas públicas que vivem constantemente em bolandas.

Vem isto a propósito do debate desta noite no canal 1. O tema quente não podia deixar de ser o grande flop dos concursos (já saiu a lista? São 3.24 da manhã...) mas a pivot soube estender o debate para lá desse incidente informático que está à beira de deixar um país inteiro em estado comatoso.
A educação não sairá nunca da ordem do dia, até porque ela é um território propício ao combate político-cultural, como bem previu Platão; a escola é uma primeira linha da guerra fria social em que vivemos.

Algumas perguntas para desenvolver no futuro:
- Que fazer com a gestão democrática das escolas que nos deu um novo modelo de gestão: a gestão mole e viscosa?
- Que fazer da escola suburbana, vazia de referências culturais e afogada no relativismo?
- Como aliviar a tremenda carga burocrática que esmaga a escola, não deixando qualquer espaço para a criatividade?
- Como criar escolas públicas de excelência que funcionem como modelos de boas práticas?
- Como fazer com que as escolas dialoguem entre si?
- Como fazer das escolas também espaços de debate e de investigação?
- Como fazer das escolas instrumentos da aprendizagem democrática dos alunos?
- Como desenvolver uma cultura de escola afirmativa e emancipadora, que auxilie os alunos e as famílias a valorizar o conhecimento e as aprendizagens ao longo da vida?
- Que fazer com este ministério que não tem ideias para a educação?
- Como fazer com que as escolas aprendam e se constituam como lugares de consciência da comunidade?

Etc, claro.

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