paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

quinta-feira, setembro 30, 2004

Efeméride

Há precisamente 220 anos, no dia 30 de Setembro de 1784, Immanuel Kant escreveu um ensaio que ficaria célebre. O texto de poucas mas incisivas páginas chama-se "Resposta à Pergunta: O que é o Iluminismo?" e permanece ainda hoje como um dos mais vibrantes apelos à inteligência e à autonomia individual e uma notável defesa da liberdade de pensamento. As primeiras palavras são uma referência: "O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo sem a orientação de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo."
Kant distingue depois o "uso público" e o "uso privado" da razão, numa clara defesa da esfera da liberdade individual. Ninguém deve ser impedido de pensar nem de fazer uso da sua razão, independentemente do cargo público que exerça. No exercício estrito da sua profissão qualquer cidadão está obrigado a cumprir um código, a observar regras, a obedecer - a razão é coagida, admite, mas numa esfera estritamente privada. Mas fora desse constrangimento o mesmo indivíduo deve poder ser livre de fazer um uso público da sua razão. Essa liberdade que nenhuma lei deve poder inibir ou punir é uma condição da ilustração. O mesmo é dizer, do progresso do pensamento, da humanidade. Por isso a emancipação não resulta senão do próprio esforço do homem para se libertar. É uma boa inspiração. E um boa imagem para quando pensamos no trabalho de aprender e de ensinar.