paixão da educação

a história de um lento regresso à escola, contada pelo 'próprio'

sábado, outubro 22, 2005

Rankings sairam hoje

Chegam com regularidade, são os Rankings das escolas secundárias. Todos os conhecemos e alguns de nós odeiam-nos com método. Como sempre o jornal Público, o Expresso, nomeadamente aqui, o Diário de Notícias e o Correio da Manhã trataram a informação a seu modo, de acordo com critérios próprios, publicam as suas tabelas e as suas listas classificadas.

Alguma coisa que escreva sobre os resultados poderá ser lida aqui, no outro blogue das minhas leituras. Sobretudo sobre a minha escola.

quarta-feira, outubro 19, 2005

Desvio narcísico [ver o outro blogue]

A paixão da educação não é intermitente, mas a dedicação à escrita neste blogue tem sido menos que episódica. De momento não vale a pena inventar. As escolas regurgitam de novidades, transbordam de inquietações... as salas de professores são barómetros desta agitação que se vive. Mas eu não estou na escola, estou fora. Já estive, tive de sair... de parar. Agora estou aqui, no estaleiro, sem inspiração para a escola e para tudo isso. Por isso limito-me à escrira narcísica do meu outro blogue. Para ler alguma coisa sobre o que há visitar, por favor, as minhas leituras . E obrigado.

terça-feira, outubro 11, 2005

Semântica

Não estou parado, apenas imóvel.

quinta-feira, setembro 29, 2005

O que se vê depois de uma Junta Médica



Depois dos dois minutos mal contados da Junta Médica, numa sala fin de siécle [sou eu a dizer, porque o estilo é mais o burocrático patinée, se a boutade se percebe], sentei-me na esplanada em frente à Alameda a fazer contas à vida.

O meu tempo não se mede em dias, afinal mede-se em meses largos. E isso não é necessariamente bom, como não é necessariamente mau. Para pensar melhor, sentei-me à frente de uma mesa, cercada por todos os lados pelos candidatos à Câmara de Lisboa. Olhavam para mim e eu para eles. Posso agora, enquanto espero, dar alguma ordem ao que está confuso, diminuir a entropia.

terça-feira, setembro 27, 2005

A Redacção parada no tempo

Estive esta manhã de novo no grande espaço que já foi sala de alunos, também conhecida como a Papelaria; uma sala vazia que também serviu para as nossas Conversas Com Livros, improvisada em menos de meia hora num auditório efémero e que depois foi a Redacção do Jornal e da Rádio, numa das melhores ideias falhadas dos últimos tempos da João de Barros. Durante uns meses tivemos lá a Redacção do que sobrou do JB, a Rádio emitia para o éter, costas com costas. Entretanto o espaço foi utilizado como Sala de Estudo, resguardando-se cuidadosamente todos os materiais do jornalismo.

Depois fiquei fora de jogo. Agora que regressei um bocadinho, estou a tentar recompor a ideia, a recuperar os equipamentos. Aparentemente tudo parece ter ficado parado no tempo, num certo momento. As últimas fotos guardadas no disco rígido do computador são de 5 de Dezembro de 2003. Milhares de fotos em papel estão na mesma confusão de sempre, separadas por inúteis pedaços coloridos. Os negativos também lá estão, meticulosamente desbaratados por envelopes de papel; sobras dos jornais, caixas cheias e vazias, folhetos antigos, impressos na nossa máquina A3; também lá estão ainda as primeiras inscrições, as fichas já com quase uma década. Tudo. Como numa caverna gelada. Chega a comover aquela imobilidade, aquela fidelidade.

A prioridade, agora, é recuperar as máquinas, depois os papéis e finalmente retomar o espírito da empresa, o gosto da notícia. Agora em canal aberto, contínuo, sem hora para fechar ou abrir a edição. É outra história, para contar depois. Ou então é uma fantasia.

segunda-feira, setembro 26, 2005

Uma entrevista

O "elogio em boca própria é vitupério"... então o que pode parecer fazer uma entrevista ao próprio pai, como esta que o meu filho me fez recentemente? Claro que fico orgulhoso de a merecer, porque é uma distinção. Saiu no blog do Clube O.R.D.E.M., que é mantido pelo Miguel e pela Mariana. Sugiro uma visita.

sexta-feira, setembro 23, 2005

Memória e Alzheimer

Estive na escola e voltarei lá dentro de pouco. Encontrei o computador com que trabalhei durante alguns anos; milhares de documentos de texto, milhares de fotos, trabalhos terminados, outros por terminar, projectos, etc. Ainda estava lá tudo, guardado naquela memória de elefante do Pentium. Apenas um sobressalto: os documentos em formato Word estão agora em WordPad, em Rich Text... mas creio que são inteiramente recuperáveis. Aquele computador é parte da minha memória e guarda centenas de horas de trabalho. Perdê-lo, perder aquelas imagens, aqueles textos e aqueles esboços, seria como assistir ao avanço da doença de Alzheimer.

Amanhã tentarei resgatar aquele material todo. Depois é o trabalho de retomar o fio da memória.

quarta-feira, setembro 21, 2005

Ideias para voltar ao trabalho [Ah, o trabalho de escola...]


Regresso com quatro ideias claras e precisas. Apresentei-as hoje na JB e é para começar já amanhã. [1] Apoiar a execução do Plano de Actividades da BME, a Biblioteca da Escola, recuperando a publicação irregular e frequente da nossa revista; [2] Criar um conceito, o de Redacção Digital, que substituirá a velha ideia da redacção do jornal, do espaço de concepção e montagem que acaba na edição inerte em papel, pelo conceito novo do espaço de produção, transformação e edição imediata de conteúdos multimédia, que pode continuar a sua transformação depois da leitura; [3] Conceber uma plataforma de comunicação e de partilha de informação, uma comunidade que envolva potencialmente todos os agentes da escola - a Comunid@de JB - e que, para simplificar, poderemos caracterizar como um jornal online, um canal de informação permanente e de matriz interactiva; [4] Criar uma publicação anual que adapte às necessidades da comunidade escolar o antigo modelo do almanaque popular, citando algumas das suas fórmulas e recriando-as de modo a fornecer a todos a informação útil de uso diário numa escola.

Foi isto que fui dizer, defender, apresentar e expor. Agora que tenho o agreement da gestão, de que tanto precisava, aqui vai disto. Mãos à obra. É a minha versão do Trabalho de Escola.

Voltarei a falar disto logo que tiver mais desenvolvimentos, claro.

segunda-feira, setembro 19, 2005

O problema da coluna

Um esclarecimento devido aos meus leitores fugazes, benévolos, pacientes: a coluna da direita, que trago tão carregada de informação desactualizada, merecerá a devida atenção em breve. É só passar um pouco mais este início de aulas e de ano lectivo. Há material a guardar na rectaguarda, textos a que importa dar destaque, leituras a por em dia. Uma quantidade de coisas, para um tempo limitado. Adiante.

domingo, setembro 18, 2005

Dia R [de Recepção]

A manhã da passada sexta-feira, 16, foi preenchida com as recepções aos alunos do Básico e do Secundário. Voltaram o movimento e o ruído, e uma agitação que parece caótica, mas que obedece, seguramente, a alguma regra ainda desconhecida. Cheguei depois da 9 da manhã, com as recepções aos mais novos já a decorrer. Pedi autorização ao executivo e entrei na sala do 8ºD, e depois do 7ºC, para fazer uns "bonecos". Que é como quem diz, umas fotos, para documentar este início de ano. Pura rotina, mas até aqui interrompida durante demasiado tempo. Algumas fotos exteriores e depois das 11.00 horas, também estive na recepção do 10ºE.

Cada Director de Turma, coadjuvado por um assistente, forneceu aos alunos algumas informações relativas ao início do ano lectivo. Um pequeno Guião, concebido para os 7º e 10º anos, foi-lhes distribuído. Um texto que abre com ecos de uma voz em que me reconheço ainda [!] e um precioso organograma da João de Barros, na página 3. Mais o calendário escolar, quadros com a indicação dos serviços de apoio aos alunos, a planta da escola, excertos do Regulamento Interno e uma breve anotação biográfica sobre o nosso patrono. Tudo isto sob o olhar desarmante da Mafalda e dos amigos...

Não senti a paragem, o afastamento; parece que foi ontem que deixei de ir à escola, de fazer este trabalho e todas as tarefas que agora me preparo para retomar. Até o stresse voltou como antes, entre conversas, projectos a discutir, documentos a ler e a fotocopiar, encontros marcados e desmarcados.

A reunião com o presidente foi adiada de novo. A reunião da equipa da Biblioteca, a BME, caiu sobre o final da manhã e apenas consegui alguns minutos para deixar umas ideias. A saída precipitada, - um imprevisto -, deixou-me a manhã a meia haste. Mas já tenho que fazer para 2ª feira, 3ª feira, talvez 4ª feira... enquanto Macau não chega em definitivo, quem sabe, se lá mais para o final da semana.

quinta-feira, setembro 15, 2005

"- É quase tudo novo!" - disse o presidente

Reunião Geral de Professores, a agitação habitual em dia de distribuição de horários. É o dia mais esperado e o que menos se deseja verdadeiramete que chegue, na ilusão de que assim se poderiam prolongar indefinidamente as férias e a época balnear. Chegou: dia 13 de setembro, 10.00 horas, no auditório da escola.

Entrei à busca de um lugar discreto, para me dissimular ali na condição de "observador". Entre a Clarisse e a Fernanda, duas amigas de sempre. Expectativa ao alto. O presidente impôs a sua palavra à plateia quando passariam cerca de 20 minutos das dez; provavelmente acertos de última hora. "- É quase tudo novo!" - começou por advertir, num ano que todos sabemos ser de grandes mudanças e de conflitos potenciais. Mas desde há muito que sinto cada ano que começa como um princípio de qualquer coisa inteiramente nova, incerta e vaga, mas nova. Nunca me convenci, no fim , que essa expectativa tivesse sido confirmada pelos factos. Não sei se este ano será também de expectativas goradas. No pior dos casos, quando o ano entrar em velocidade de cruzeiro, acabaremos a metabolizar todas as contrariedades e a neutralizar o que verdadeiramente vale a pena nas medidas que estão a ser anunciadas e levadas à prática.

O novo executivo pede colaboração, promete colaborar. A voz aquece, chega a toda a sala, que está cheia, e que levanta alguma "fervura", aqui e ali, nos momentos de maior crispação. Fala-se de horários, de medidas polémicas, nem sempre bem explicadas, nem sempre bem aplicadas no concreto da escola.

"Quando o arranque do ano lectivo corre bem é a equipa do Ministério que está de parabéns... mas quando corre mal..." já sabemos a quem são deixadas as responsabilidades.

"- Vamos trazer para cá os netos!" , sugeriu o Pacífico

A reunião teve diálogo, aqueceu. Lembro-me de um ano [pelo menos de um] em que o executivo não realizou sequer a habitual reunião geral de professores. Ou então eu andava muito distraído. Mas agora tivémos conclave. O Manuel Pacífico deixou uma sugestão, no termo da discussão sobre a política de distribuição das componentes: "- Vamos trazer para cá os netos!" A avaliar pela disposição com que a plateia recebeu a sugestão, pareceu-me que a ideia não caiu mal. Sempre ajudava a passar o tempo.

Também houve aplausos, merecidos. Ao Mário, à Isabel, pelo apoio precioso ao executivo durante os mês de Agosto, à M. do Patrocínio, pela intervenção que realizou.

A reunião terminou pelas 11.30. Café e distribuição dos horários.

A seguir, logo na quarta-feira, entravam em cena os Directores de Turma. Mas dessa eu não faço parte.

Fraseologia

Ando às voltas com a nova fraseologia das componentes. Ainda não consultei a lei, por isso apanho literalmente do ar.

Vamos ver, parece que é assim; o horário de um professor tem diversas componentes com peso horário semanal variável, consoante as situações concretas de cada um:
[1] a componente lectiva, que consiste na carga horária de aulas, que pode ser de 22, 20, 18, 16, 14 ou 12 [?], conforme a antiguidade, tempo de serviço e idade;
[2] a componente de trabalho de escola, que é nova, de carga variável, e que consiste no tempo que cada professor deve passar em trabalho presencial na escola, com funções e tarefas específicas;
[3] o trabalho individual e reuniões, que consiste no tempo dispendido individualmente nas tarefas de preparação de aulas, correcções de testes, etc, habitualmente em casa, mais as reuniões de escola, componente que pode ser de 7 ou 9 horas, mais as 2 da reunião;
[4] finalmente há o tempo superveniente, de 1 ou 2 horas, e que resulta da conversão de aulas de 50 minutos em meios blocos de 45, que se verificou no novo modelo.
Agora estará bem?

quarta-feira, setembro 14, 2005

Aulas já começaram na EPM



O início das aulas, a 12 de setembro, na Escola Portuguesa de Macau [EPM], é notícia de destaque no jornal Jornal Tribuna de Macau. O jornal avança com "Expectativas elevadas" no regresso às aulas, num ano em que houve alterações na oferta curricular da escola e naquele que pode ser o último ano completo nas actuais instalações. Ao que parece a escola parece preparar-se dentro de algum tempo, num prazo ainda indefinido, para mudar de local. Para ler mais notícias sobre o arranque do ano lectivo na escola de Macau ver aqui.

Voltaremos à EPM, à escola de Macau.

terça-feira, setembro 13, 2005

Amanhã na JB

Amanhã é dia de Reunião Geral na JB. Depois da colheita vou até à escola tentar fazer, uma vez mais, a quadratura do círculo. A Reunião das 10.00 horas, no Auditório, depois a reunião de Departamento para os horários [eu estou fora dessa agonia, mas é sempre um grande revuelo], a reunião da BME, informal, e a reunião com o presidente, para lhe apresentar os meus projectos. Falar com os colegas, tomar um café ou dois, entrar no espírito de um ano que começa.

Palavras Andarilhas VII,

sábado, setembro 10, 2005

Primeira reunião [e inesperadamente... Macau]

Quinta e sexta-feira na escola. Na quinta, apenas por uma hora, com o Fernando P., para ver o calendário e confirmar que só no dia seguinte. Depois de uma noite de trabalho, para cozinhar uma declaração de intenções - chamei-lhe Projectos [para o ano lectivo 2005/ 2006] - estive na escola para uma reunião de Departamento, a primeira em quase dois anos. Não se perde o ritmo, nem o balanço, apenas se perde o fôlego e se recupera depois com mais dificuldade.

A reunião com o presidente acabaria por não ter lugar; passei-lhe o documento de três páginas em Arial, com fotos e tudo, e combinámos um encontro para a terça-feira seguinte. Será dia de análise de sangue... pura rotina, e dia de Reunião Geral de Profesores, acontecimento bem mais raro. Tentarei não faltar às duas. Depois há mais reuniões dos Departamentos, da Biblioteca e por aí fora. Segunda-feira é para trabalhar em casa. Escrever muito.

E depois vem Macau... que se meteu inesperadamente no meio de tudo.

Os nomes e a coisa

Vamos a ver se percebi: de acordo com a nova legislação que redefine a prestação profissional do professor, durante o seu tempo de trabalho, ficam estabelecidas três componentes - a lectiva [que consiste nas horas de aulas por semana, inscritas no horário]; a colectiva [que aponta para o trabalho em equipa, na escola]; a individual [que se refere ao trabalho realizado habitualmente em casa]. A soma destas três componentes dará 35 horas.

Não vou aqui discutir, no habitual registo de autocomplacência em que somos campeões na nossa corporação, quantos de nós, e quem [eu sim, o outro não, tu talvez...] trabalhava afinal mais dos que as 35 horas da lei, mesmo antes da lei sair. O que me interessa assinalar é talvez o óbvio: que a profissão de professor, só em virtude de um enviesamento cultural muito nosso, se tornou num ofício solitário e triste, que seria apenas romântico se não tivesse alguns traços de melancolia e desânimo à mistura.

A regulação de uma vertente colectiva do trabalho do professor na escola, entre os seus pares,- de nível, de departamento, de projecto,- só é necessária na lei porque permanecemos durante demasiado tempo conformados com as contingências de uma escola sem autoridade, sem projecto, sem regulação, sem avaliação. Com uma escola errática, esmagada pela rotina e enredada numa lógica bipolar: entre o centralismo burocrático do ministério tentacular e os devaneios de um ideário autogestionário herdado do PREC.

Não sei como dizê-lo de outro modo, mas acho que o lugar do professor, é na escola. Precisamente onde tudo começa e acaba. Nem sempre da melhor maneira, já sabemos. Espero que esta alteração semântica não venha a ter a mesma sorte de outras tentativas sérias [talvez devesse dizer: bem intencionadas] de mudar os hábitos, de mudar a escola.

domingo, setembro 04, 2005

Beslan, 1 ano depois

Passa um ano sobre os acontecimentos de Beslam. As mesmas palavras, a mesma falta de palavras.

Uma citação da paixão no CRpPC

Descobri, um pouco por acaso, o sítio deste Centro de Recursos para o Primeiro Ciclo [CRpPC]. Na página das ligações recomendadas, encontrei um link para a [paixão]. Parece ser um genuíno projecto da "sociedade civil", criado e administrado por Pedro Dias, professor do primeiro ciclo desde há 5 anos, com 36 colaboradores de diversos níveis de ensino. Informação actualizada sobre os concursos de colocação de professores, sugestões, recursos para o trabalho curricular, estão em linha neste sítio dedicado à escola e à educação.

Ao Pedro Dias agradecemos a citação da [paixão].

sábado, setembro 03, 2005

De passagem

Depois da minha "apresentação" simbólica da véspera na JB, regressei para falar com o presidente. Faltava essa formalidade e essa satisfação, que não tive ocasião para cumprir no dia anterior. Reiterei o meu desejo de voltar à escola e de o fazer agora, correndo ao lado de quem começa a sério um novo ano lectivo. Falaremos de novo na próxima semana, para discutir projectos.

Nada a fazer; o stress faz parte.

quinta-feira, setembro 01, 2005

"Voltei" à escola!

Há já quase dois anos [passarão em dezembro próximo] que estou fora do combate, retirado da linha da frente, que é como quem diz, - abstraindo da linguagem militar, - que não estou efectivamente na escola. Problemas delicados de saúde afastaram-me da escola, das aulas e do trabalho escolar em geral. Em contrapartida a evolução favorável do meu estado de saúde acabou por me trazer à blogosfera, por onde ando, um pouco errático, desde então.

Durante este tempo as minhas passagens pela JB foram muito esporádicas; não há meio termo, ou se está lá, mergulhado em absoluto no mais fundo da vida escolar, com todo o seu cortejo de grandezas silenciosas, de vilezas, de renúncias e de sucessos sem aplauso e sem proveito, ou se está fora, inteiramente fora e longe. Optei, sem hesitação, por ficar longe, enquanto não tivesse condições físicas para regressar. Uma primeira tentativa de regresso acabou em fracasso, já lá vão uns meses.

Desta vez, apesar de prosseguir a recuperação, resolvi "apresentar-me" na escola, no primeiro dia do novo ano lectivo. Apresentação meramente simbólica, que representa mais do que é: não se trata de um regresso mas de manifestar o desejo do regresso. Umas horas de conversa e convívio com os colegas, aquilo que se chama matar saudades. A minha ideia é simples: reaprender o caminho da escola, que de facto nunca esqueci, e ensaiar um lento regresso, ainda sem compromissos formais, sem funções atribuídas, mas com projectos. Aproveitar este tempo que parece um limbo, entre saída e entrada, entre fora e dentro, para fazer aquilo que, uma vez mergulhado no turbilhão e no corropio da vida escolar, com componente lectiva atribuída, etc, etc, seria quase impossível realizar.

Sobre os projectos, que são ideias para marcar o compasso desse lento regresso, falarei na altura certa, evidentemente, não agora.

quarta-feira, agosto 31, 2005

Mudar de vida

Tecnicamente, o ano lectivo 2004/ 2005 termina dentro de minutos, a 31 de Agosto; o próximo ano lectivo de 2005/ 2006 começa dentro de minutos, a 1 de Setembro. Portanto, terminámos e vamos começar. Este blogue segue o calendário lectivo e também termina dentro de minutos para começar de novo e mudar de vida, logo a seguir.

Não há lugar, pelo menos neste post, para um balanço mais circunstanciado do que foi, de início, o projecto da [paixão da educação]. Frequentemente os projectos nunca chegam a ser aquilo para que apontam, porque as contingências raramente são tidas na devida conta e os imponderáveis, por definição, não são previsíveis. A ordem dos factos é o que é, a do direito e do desejo, raramente é o que devia ser e o que aspira a ser.

O projecto de um blog colectivo, múltiplo e participado, sobre a educação, sem embargo das participações e dos comentários com que acabou por contar, ficou aquém do que pretendíamos. Fica aqui o agradecimento a todos os participantes: ao Joaquim Sande Silva, lá de Coimbra, ao Fernando Guimarães, desde Ponta Delgada, ao Manuel Cruz, ao José Rabaça, ao Pedro Maia, à Ana Carina Moreno, desde Almada e do Seixal, num ano tão decisivo do curso que já terminou [Parabéns pelo estágio na Visão!]. Um abraço especial ao Roberto Nasser, que sem participar directamente na [paixão], sempre manifestou interesse em estar informado lá em São Paulo, Brasil, sobre o nosso trabalho. Aos nossos leitores e colegas de ofício, aos autores de outros blogues da educação que nos citaram, frequentemente, com excessiva generosidade, também agradecemos vivamente.

Mas agora é tempo de mudar de vida. A partir de amanhã, 1 de Setembro, a [paixão da educação], antecipando desde já eventuais momentos de baixa produtividade e de menor empenho, contingências várias e obstáculos que não podemos prever, à distância, nem remover inteiramente, quando chegarem, passará a ser apenas um diário do lento regresso à escola [explicações sobre o tema... amanhã]. Um sítio para manter viva a opinião qualificada, com argumentos, para falar e dar notícia das experiências e dos projectos que pretendemos desenvolver na prática diária da escola. Um sítio, sem mais, para fazer o registo pessoal e subjectivo de uma vida profissional inteiramente dedicada à escola e à comuniddade escolar. Não se pode pedir mais, não se deve esperar mais, porventura, não se deveria prometer tanto.

A todos, um bom ano lectivo!

sexta-feira, agosto 26, 2005

Aniversário "redondo" de JB

Sobre o aniversário "redondo" de João de Barros, para este ano lectivo, ver este post do meu blog das leituras.

terça-feira, agosto 23, 2005

A escrita continua no outro blog, o das leituras

Continuo a escrever neste blog, o das leituras, tal como já tinha deixado em recado aos meus leitores. O trabalho in loco, que estou a realizar na biblioteca do poeta da Claridade, será interrompido hoje, lá mais pelo fim da tarde. Já em casa, amanhã e nos dias que seguirem, completarei alguns textos que não tive tempo de deixar escritos, colocarei fotografias onde forem devidas, farei um balanço destas horas passadas entre livros, tacteando no pó, folheando compulsivamente, lendo até de madrugada. Voltarei noutra altura, quando a agenda de um leitor em férias prolongadas o permitir. Sugiro a visita, aqui.

quinta-feira, agosto 18, 2005

Justiça Poética

Só mais uma nota: estou de momento [bom, pelo menos a partir da tarde de amanhã...] em trabalho de arrumação poética. Explico melhor aqui, no meu outro blog, o das leituras. Para ler sobre a evolução dos trabalhos de organização do breve espólio do poeta Sebastião, de que tentarei dar conta ao correr das surpresas que for encontrando, é ali mesmo. Trata-se de uma contribuição pessoal para recordar a obra e a pessoa intrinsecamente boa de um poeta que deixou uma obra de autor, em livros impressos num papel pardo cor de embrulho, tão característico das edições custeadas a expensas próprias, como era sempre o caso. É uma espécie de justiça poética. Ver aqui. Prometo [se nenhum contratempo sobrevier] diversas actualizações diárias. Ao vivo, em directo.

quarta-feira, agosto 17, 2005

Uma paixão no estaleiro

Não me sobra o talento para metáfora mais adequada. Na verdade estas últimas semanas têm sido sobretudo de leituras vorazes e erráticas, menos de escrita, muito pouco de trabalho organizado. Também tem sido um tempo para resistir, para recuperar energias que se esgotam não se sabe nunca para onde. A paixão vem depois.

Para além de que o futuro deste blog sobre o gosto de aprender e de ensinar em grupo, no espaço incontornável da escola, da sala e da rua, permanece ainda em dúvida. Tendo nascido como um desejo de projecto colectivo e participado, a muitas vozes, acabou por ficar aquém da ideia, antes do projecto, longe do que poderia ser. Na verdade era uma ideia a prazo, para durar o ciclo inteiro de um ano lectivo, deste que acabou de terminar. Os motivos de saúde a que já me referi, sem pormenores cansativos, e outros contratempos, reservaram à [Paixão] um tempo útil de vida activa e militante bem menor. Vale a pena reconsiderar o perfil e o destino destas linhas irregulares, num momento de provável viragem na minha trajectória profissional recente, de que este blog também é um reflexo imperfeito mas contínuo.

Provavelmente voltarei dentro de semanas, em Setembro, quando retomarmos, então já aí com método, as angústias e as ansiedades do novo ano lectivo. Decidirei então se vale a pena inflectir no caminho e fazer da [Paixão] um diário íntimo do regresso, pelo menos do regresso desejado à João de Barros.

domingo, julho 03, 2005

A Outra Escola

É o titulo de uma reportagem de fôlego da SIC/Visão, que passou sem grande aparato. Não vi senão o final e tenho pena, mas espero que repita. Uma escola da Damaia, - Escola Doutor Azevedo Neves - , que é considerada, ou foi, em anos recentes, a escola mais "africana" da Europa, com uma percentagem de alunos de origem africana próxima dos 80%. A escola recebe alunos dos bairros mais degrados da zona: Cova da Moura, Bairro 6 de Maio, Estrela de África e Estrada Militar.

O presidente do CE, José Rocheta, é uma figura singular. Procura pessoalmente os alunos que faltam às aulas, num vaivém solitário da escola aos seus bairros de residência, trata de problemas de legalização junto das autoridades... É a prática da escola inclusiva, sem o glamour da teoria e da retórica. 20 valores.

A reportagem é de Isabel Osório, com imagem de Pedro Falé. Um artigo do DN, aqui.

sábado, julho 02, 2005

Mas o blog de Luís Aguiar-Conraria...

... A Destreza das Dúvidas, voltou. Ainda bem.

O Barnabé vai acabar?

Parece que sim. Manter um blogue de combate, sempre na linha da frente, e com grande potência de fogo, não é fácil. O Barnabé termina, mas ficam aqui os textos neste grande mar de sargaços, para quando tivermos saudades.

Bater no fundo

A questão levantada pela ministra da educação e pelo seu secretário de estado no Parlamento, esta sexta-feira, em torno da racionalidade de estágios remunerados para formar futuros professores que não conseguirão um lugar no sistema de ensino, é central neste debate. Podemos discutir o modelo e sua bondade, ou, ao contrário, a eventual perversão que instala, ao acenar com uma miragem que os anos subsequentes não irão confirmar em realidade; o de um lugar numa escola e o início de uma carreira profissional. Afinal este modelo de formação é recente, não existe desde sempre. Mas dizer que a despesa com a formação dos recém-licenciados, arredondada para os 50 milhões de € por ano, é um exemplo de dilapidação dos dinheiros públicos, é quase insuportável. Falamos de formação do capital humano, que é o mais precioso de todo o sistema. Não falamos de trivialidades. E esta dimensão da formação dos professores não pode ser tratada a golpes de calculadora.

A Criança e a Água do Banho

O formato ultraleve do debate desta noite, com a ministra da educação, serve pouco ao esclarecimento de grandes questões de fundo. Ajuda a consolidar algumas perplexidades e a fixar a atenção no essencial. Nas questões de fundo, relativas ao ensino e ao nosso sistema educativo, acredito que é preciso mudar de paradigma e inverter algumas lógicas de funcionamento do sistema, que foi frequentemente construído a partir de dentro, numa tensão permanente entre as exigências cegas da grande máquina do ministério e os interesses acomodatícios dos professores. É preciso nunca perder de vista o aluno, mesmo quando olhamos para o professor ou para o edifício a que chamamos sistema educativo. Concordo [com alguma perplexidade, é certo] com o princípio das medidas que estão anunciadas, mas temo que se aplique aqui uma das numerosas fórmulas sábias da Lei de Murphy: "Se alguma coisa pode correr mal, corre." Ou, pior ainda: "A falha escondida nunca permanece escondida." É preciso mudar o sistema educativo sem ter a pretensão de mudar de pessoas. É preciso deitar fora a água do banho sem deitar pela borda fora a criança...

sexta-feira, julho 01, 2005

Especial Informação, hoje às 21.05

A não perder, por quem está na Educação, o Especial Informação [eis o verdadeiro serviço público] que a RTP vai hoje transmitir a seguir ao Telejornal na 1. Depois dos programas sobre a Saúde e a Administração Interna é a vez da Educação. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues estará presente emestúdio frente a frente com representantes da Fenprof e da Confederação Nacional da Associação de Pais.

Ludicum est...

Para quem não viu na RTPN o 4xCiência, aqui fica a sugestão de uma visita ao Ludicum - um sítio para ajudar a gostar de jogos de estratégia e de matemática.

sexta-feira, junho 24, 2005

As Festas de S. Boaventura estão aí


As Festas de S. Boaventura [nome de um dos doutores mais destacados da Igreja e do pensamento medieval] aí estão. São organizadas pelas duas livrarias do bairro alto, que se situam na rua do mesmo nome, a poucos metros uma da outra. A Eterno Retorno e a Ler Devagar [que vai mudar de sítio, dentro de poucas semanas]. O Programa é vasto e variado, divide-se entre os dois locais e está no destaque da nossa coluna da direita. Para ver o programa na totalidade CLICAR AQUI ou AQUI.

A Maltinha da 3 e O Celeiro [novo número]




Recebi recentemente mais dois jornais escolares; A Maltinha da 3, publicado com regularidade pela Escola/ Jardim de Infância nº 3 do Laranjeiro [número de Junho] e O Celeiro, da Secundária Moinho de Maré, dos meus amigos Xico Braga e Francisco Gonçalves [número de Maio].

O jornalinho da 3 vem com novos conteúdos e dotado de maior unidade temática. Parece mais pensado, evitando a mera colecção de trabalhos de sala sem qualquer articulação, como acontece frequentemente. É subordinado ao tema "As Férias estão aí" e inclui algumas páginas subordinadas ao seguinte motivo: "Se eu fosse Primeiro-Ministro..." As respostas dos alunos são desconcertantes. Vejamos algumas: "A minha primeira lei era a todas as pessoas que fossem passear os cães levassem um saco para apanhar o cocó porque se não o apanhassem e o deixassem no chão podiam levar uma multa de 500 €." Outra: "Eu punha logo um dia novo, o dia da calma. Era um dia em que todas as pessoas não deviam andar em brigas nem andar de carro, pois isso provoca bichas e não é nada calmante. Nesse dia todas as farmácias estavam abertas para, se alguém tivesse um ataque de fúria, ir comprar medicamentos para se curar." Ou então: "[...]acabava com a probreza e com os exames e punha as coisas mais baratas." Etc... etc... Relatos de viagens, textos sobre o 25 de Abril, actividades relativas ao ambiente, notícia sobre a Feira do Livro da Escola, sobre a semana pedagógica e exercícios de escrita, completam este número. O que falta, em meu entender: aproveitar o jornalinho, sem o tornar pesado e ilegível, para transmitir com regularidade, informação qualificada aos pais e à comunidade em geral. Mas o trabalho já assim tem mérito e merece ser apoiado.



O Celeiro é, como já escrevi aqui neste blogue, um caso de longevidade e de coerência gráfica e temática. Um jornal de longo curso, mas onde há muito espaço e caminho para inovar. Este número de Maio vem com o habitual apuro gráfico, com a riqueza fotográfica que lhe é comum e fala de mil e um temas centrados na escola e nas suas actividades que são ricas e variadas. Relatos de viagens e contactos com outras escolas, debates sobre o fim da segunda guerra mundial, fotos, muitas fotos, opinião e uma homenagem aos alunos finalistas, são a parte grande deste número.

Para ter acesso a um dos últimos números do Celeiro CLICAR AQUI.

Parabéns às duas redacções e bom trabalho para o próximo ano lectivo.

quinta-feira, junho 23, 2005

Uma Visão diferente..

A educação é um legado que ninguém gosta de aceitar. É essa a conclusão que tiro do meu estágio que ainda não terminou. A Paixão da Educação que os sucessivos governos teimam em reiterar, sempre que começam um mandato e sempre que se encontram em plena campanha eleitoral. O mesmo se passa nos Media. É um osso duro de roer, este assunto da educação, um fardo dificil de carregar e dificil de tratar. Porque envolve muitos intervenientes, porque o assunto encontra sempre opiniões diferentes ou de sindicatos, associações de professores, associações de encarregados de educação.

Nestes 3 meses a minha participação na "Educação" remeteu-se a uma simples caixa informativa acerca das provas de aferição a realizarem-se pela primeira vez este ano e foi o suficiente. Contactei o responsável pelos associação de pais, contactei associação de professores de Matemática, Português e a assessora da ministra da Educação. As informações recolhidas ora contradiziam-se ora desmentiam-se, o que se passa é que este assunto da Educação é muito complexo, é o diz que disse, são desmentidos e mudanças. Inclusive 'gaffes' como aconteceu ontem com a Ministra da Educação em pleno jornal da noite.

Conclusão: os media, o governo e educação não são coisas que caminhem propriamente de mãos dadas, porque é dificil fazer um artigo que agrade a todos, porque é dificil fazer politica para educação.

Acerca do regresso, em pleno verão

Agradeço e retribuo as saudações do Luís Palma de Jesus acerca do regresso... em força. Não sei se é um regresso, seguramente não é em força, porque o meu ritmo de actualização da paixão agora é menor. Por diversos motivos, entre os quais não será de menor importância o facto de estarmos em pleno final de ano lectivo. O destino deste projecto da Paixão, que nasceu sob o signo da reflexão colectiva mas falhou rotundamente esse objectivo, terá de ser repensado durante as férias de verão.

Aproveito sim, a propósito do cansaço do Luís Palma, para chamar a atenção para o número redondo de 600 posts a que, em cerca de dois anos e meio de trabalho, já chegou o excelente Geografismos. Ainda não vi este projecto, único na blogosfera, devidamente reconhecido como um dos melhores blogues educacionais portugueses, do ponto de vista da ligação do professor aos seus alunos, da facilitação de acesso a conteúdos de qualidade e como prolongamento do trabalho realizado na sala de aula. Quem conhece o trabalho sabe que estas palavras não são excessivas e que o Geografismos é, neste contexto da utilização da net para fins educacionais, um exemplo de boas práticas.

Nós, aqui na Paixão, encontrámos neste projecto uma das nossas inspirações. Deixamos aqui o link para um questionário extenso e detalhado que realizámos há meses, em Novembro passado, ao seu autor.


* * *


Também agradeço as boas vindas do colega Manuel Cabeça - Da Escola -, à saltapocinhas - Fábulas - ao Miguel Pinto - outroolhar - ao blogue Deleites Pensamentos, à Ana Carina Moreno [parabéns pelo final do estágio na Visão... e pelos bilhetes para Madagáscar, o filme]- Blog Inspirado -, à Carmen, leitora regular, à Manuela Delgado João Ramos, - Biblio-Beiriz-Boletim, Dias com Árvores -, e à Alice Santos, a quem retribui neste post. E àqueles de que me esqueci.

quarta-feira, junho 22, 2005

Citado pelo eCuaderno

Neste post recente, (re) Descubriendo blogs, Jose Luis Orihuela faz uma selecção "muito pessoal de bons weblogs, de hoje e de ontem". Vem no seu eCuaderno, que é umas das referências da blogosfera espanhola. A citação honrosa da Paixão ocorre na secção Educación, em conjunto com outros dois blogues da mesma área: Alex Halavais e Blog d'una profe. Obrigado ao Jose Luis Orihuela, claro.

segunda-feira, junho 20, 2005

Coragem com alguma timidez

Por poucas vezes postei por aqui...assisti calada à ausência de quem se ocupava deste blog e apesar das muitas dúvidas que tinha assim permaneci. Agora estou novamente radiante por saber que o professor Gustavo retomou à vida activa e deu novamente vida a um espaço de reflexão e de também a um outro de leitura.

Neste momento a minha vida académica já não importa muito. O percurso universitário está a fechar depois de um estágio numa revista portuguesa de grande tiragem. Não sei até que ponto o meu contributo poderá continuar a ser bem-vindo, no entanto vou esforçar-me para ser mais regular e assidua.

Aproveito para demonstrar o meu apoio por todos os professores que por estes dias se manifestam, reclamando direitos de um governo que cada vez ignora a classe dos docentes mas também dos alunos. O ensino precisa ainda de muitas reformas, e os alunos não devem ser os prejudicados.

Um muito bem-vindo de novo Professor Gustavo.

Uma greve incorrecta, inoportuna e imprudente!

O presidente da Federação Nacional da Educação, João Dias da Silva, afirmou ao DN de sexta-feira passada: "O sentimento de revolta que se manifesta nas salas de professores é tão grande, assim como a vontade de fazer greve, que acredito que esta contestação constituirá um sucesso muito grande."

Não sei se a adesão está a ser grande ou não, nem tenho uma ideia clara sobre a legalidade ou ilegalidade do conceito de serviços mínimos aplicado ao caso. Coloco a questão da greve em época de exames apenas do ponto de vista moral, que deve preceder qualquer outra perspectiva, inclusivé a sindical. E a mim, que estou fora do activo desde há muitos meses, parece-me que a opção de fazer uma greve coincidindo com os exames dos alunos, interferindo objectivamente com o serviço de exames e afectando o seu curso normal, é incorrecta, inoportuna e imprudente. Pelo carácter excepcional e único, tendencialmente irrepetível, dramático e terminal dos exames, parece-me que esse é mesmo o único momento em que os professores se deveriam abster de fazer greve. A greve nestas condições, independentemente das razões que assistem, é incorrecta do ponto de vista moral e dos princípios, inoportuna porque coloca em causa sobretudo o esforço dos alunos num momento particularmente sensível do ano lectivo e imprudente porque não nos faz ganhar a opinião pública. Se nestes três planos a greve não me parece o protesto adequado, então só posso dizer que não estou com esta forma de luta.

Alguém me convence do contrário?

Kulto, um fanzine para miúdos com o Público de domingo

Depois da experiência aparentemente bem sucedida [até do ponto de vista comercial] da Visão Júnior, versão infantil do magazine de informação geral, o Público iniciou há cerca de um mês a publicação da revista-fanzine Kulto. Sai todos os domingos, incluída no corpo do jornal, e é paga obrigatoriamente com o exemplar desse dia, que viu o preço de capa acrescido nalguns cêntimos. Tem 16 páginas e é produzida para o Público por um corpo redactorial fixo da empresa Estado de Sítio.

A Kulto, tal como se apresenta, parece mais um destacável, com uma paginação muito sugestiva e saturada de imagens. É dirigida ao público dos 7 aos 13 anos, explorando nitidamente, do ponto de vista da publicidade, esta precioso nicho de mercado bastante exigente. Baseia a sua relação com os leitores numa linguagem muito próxima e numa constante procura de interactividade. O blogue, com o mesmo nome da revista, - Kulto - explora ainda mais esta exigência de proximidade aos leitores, numa perspectiva diária. Actualizado várias vezes ao dia, pela equipa da revista, o Kulto, desenvolve as sugestões feitas na edição em papel de domingo, dá conselhos e regista notícias do interesse destes jovens leitores.

Para quem quiser fazer um blogue, a equipa "postou" um excelente guia muito detalhado, em 8 pontos: CONSTRÓI O TEU BLOGUE.

domingo, junho 19, 2005

Mais na coluna da direita [o fabuloso decreto do valor de Pi]





Actualizei a secção Leituras em dia da coluna da direita, com a entrada anterior a ser remetida, como costumo fazer para o blogue auxiliar. O livro do professor Jorge Buescu já saíu no ano passado, mas só agora tive oportunidade de lhe dar o devido destaque. "O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias" reúne uma boa colecção de crónicas, escritas num registo informal e breve mas sem conceder à facilidade e ao mau gosto. O autor escreve regularmente nos jornais e sabe cativar a audiência desde a primeira linha, insinuando com humor o mistério e a estranheza que por vezes se encobrem na descoberta científica. Os textos, recheados de dados e informações históricas, sempre referidos a figuras precisas da actividade científica e da investigação ou a teorias matemáticas de que todos já ouvimos falar, encontram-se organizados em várias secções: Matemática, Física, Cepticismos e Fronteiras. Lê-se como um livro de aventuras, de mistérios desvendados ou inconclusos, com personagens raras e excêntricas que defendem ideias fora do comum. É um bom livro para despertar nos alunos o gosto pela reflexão em torno do que parece adquirido, para aprender a gostar da incerteza e dos problemas, para fazer uma pedagogia da descoberta científica.

A história que dá título ao livro, cosntruído em torno do algarismo que aparece nos nossos Bilhetes de Identidade, é um exemplo excelente de como certos mitos urbanos e lugares comuns do saber conformam as nossas representações da realidade, sem qualquer fundamento racional. Basta pensar um pouco... Mas não resisto a deixar mesmo aqui no post uma longa passagem de um dos capítulos do livro [cap. 20] - Indiana Goodwin, o salteador do Pi perdido - onde se conta a história inacreditável de um projecto de lei da Câmara de Representantes do Estado de Indiana, por via do qual se pretendia fixar o valor de Pi... Só lendo mesmo...

* * *

"Assim começa o projecto nº 246, apresentado à Câmara de Representantes do estado americano de Indiana em 1897. Este projecto de lei, descrito meses mais tarde por um jornal de Indianópolis como "o mais estranho que alguma vez passou numa assembleia de Indiana, oferecia de facto uma contribuição extraordinária para a educação: determinava, por decreto, o valor de Pi.

O projecto foi apresentado à Câmara em Janeiro de 1897 por um deputado, Taylor I. Record, em representação de um Dr. Edwin Goodwin, que vivia em Solitude, Posey County. Record admitia não compreender do que tratava o projecto de lei, mas achava que devia ser discutido. Goodwin tinha-o convencido de que a sua "descoberta matemática", ao nível das de Galileu e Newton, traria fama e riqueza ao estado de Indiana: uma vez adoptada, não cobraria direitos de autor no estado de Indiana - apenas no resto do mundo.

O texto do projecto de lei nº 246 é certamente uma das peças legislativas mais obscuras alguma vez compostas: nem o seu objectivo é compreensível. Por exemplo, a primeira das três secções começa da seguinte forma: "Seja registado pela Assembleia Geral do Estado de Indiana: foi descoberto que a área do círculo está para o quadrado de uma linha igual ao quadrante de uma circunferência assim como a área de um rectângulo equilátero está para o quadrado de um dos lados."

As últimas catorze palavras são uma forma notável de dizer "como 1 está para 1"."
[p. 121]

Atenção [muita atenção] à entrevista da srª Ministra na coluna da direita

A srª Ministra Maria de Lurdes Rodrigues deu anteontem ao DN a sua primeira grande entrevista depois da tomada de posse. A peça está quase toda na nossa coluna da direita, lá muito abaixo, depois da sugestão de leitura [que será actualizada em breve]. A opinião de Helena Matos sobre alguns aspectos da escola actual, de que é uma crítica "contumaz", também têm ali o seu destaque. A ler.